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WIP Lab

Tutores

Leo Garcia

Leo Garcia é roteirista e diretor-geral do FRAPA. Mestre em Roteiro (UPSA, Espanha), escreveu os longas “Em 97 Era Assim”, “Legalidade”, o doc “A Vida Extra-Ordinária de Tarso de Castro”, “Depois de Ser Cinza” e "A Vida de Cada Um". Leo foi selecionado para o Berlinale Talents e é coprodutor do longa uruguaio “Mateína”. Roteirizou séries como “A Bênção”, “Werner e os Mortos” e “Vamos Brincar com a Turma da Mônica”. Já ministrou consultorias de roteiro em cidades da América Latina e Portugal.

Iana Cossoy Paro

Iana é roteirista, professora, coordenadora e supervisora de projetos de formação e laboratórios nacionais e internacionais. Graduada em Relações Internacionais pela PUC-SP (2000) e em Cinema pela EICTV- Cuba, com especialização em roteiro (2007). Pós-graduada em roteiros de longa-metragem pela ESCAC – Barcelona (2008) e Mestre em meios e processos audiovisuais pela ECA-USP com a dissertação “Escrever o som: busca pelo espaço do sonoro em roteiros audiovisuais” (2016). Assina o roteiro de ENEIDA (2022), com Heloisa Passos e Tina Hardy, TRÊS VERÕES (2019) com Sandra Kogut, EU TE LEVO (2017) com Marcelo Muller e DE PEITO ABERTO (2018) com Graziela Mantoanelli. Colaborou nos roteiros de AS DUAS IRENES (2017) e MAMBEMBE (2024) de Fabio Meira. Foi consultora de diferentes longas-metragens latino-americanos, entre eles o filme colombiano Novembro (2025), dirigido por Tomas Corredor. Assina o roteiro de “CARCEREIRAS”, de Julia Hanud, participante da seção Cannes docs do Marché du Film 2025, com estreia prevista para 2026. Foi Chefe da Cátedra de Roteiro da Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de los Baños, onde leciona desde 2009, de 2020 a 2023. Coordena a Maestría e a Residência em Escrita da Cátedra de Roteiro na EICTV, Cuba. Trabalhou, de 2009 e 2019, com o roteirista, escritor e consultor cubano Eliseo Altunaga em oficinas de roteiro no Brasil e em Cuba. Ministrou cursos em diferentes espaços, como a Escuela Itinerante (México), Bucareste Ateliê de Cinema (SP) e Espaço Itaú (SP). Lecionou na Escola Livre de Cinema de Santo André (2013-2014). Assessora de roteiros em diferentes laboratórios audiovisuais nacionais e internacionais: BrLab (desde 2017); Cabíria Lab, Panorama Coisa de Cinema, NordesteLab, Acampadoc (Panamá), Nuevas Miradas (Cuba), Desde la Raíz e CaliLab (Colômbia), Taller de Guiones (Bolívia), Residencia del Lago (Argentina), Residencia de Guion (Guatemala).

Flavio Botelho

Flavio Botelho é diretor, roteirista e produtor. Seu longa de estreia, A Metade de Nós (2024), produzido pela Gullane, foi premiado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Festival Mix Brasil e Festival de Punta del Este, além de selecionado para pitch no Festival Internacional de Cinema de Berlim. Foi produtor executivo e assistente de direção de A Paixão de JL, Homem Comum e Pan Cinema Permanente, de Carlos Nader, todos premiados no É Tudo Verdade.

Rosalía Ortiz

Graduada pela Escuela Nacional de Experimentación y Realización Cinematográfica (ENERC) e pela Universidad Nacional de las Artes (UNA). Com sua produtora, Rebecca Contenidos, dedica-se à produção de longas-metragens há vinte anos. Em sua trajetória por festivais internacionais, passou a comercializar suas produções e, nessa etapa do circuito industrial, percebeu uma lacuna e uma grande necessidade de que os conteúdos se consolidassem internacionalmente. Diante dessa carência, em 2019 criou a Punctum Sales, junto com Candela Figueira Pizarro.

Atualmente, integra a Academia das Artes e Ciências Cinematográficas da Argentina e a Associação de Produtores Independentes de Meios Audiovisuais. Em ambas as entidades, atua ativamente para melhorar as condições da indústria audiovisual, construindo pontes com o mundo.

Raphaela Leite

Raphaela Leite atua no campo audiovisual com trajetória em pesquisa de imagem, consultoria artística e curadoria. Atualmente é consultora de dramaturgia nos Estúdios Globo, com foco em projetos de drama e humor. Foi curadora da Bienal do Livro (2021) e do Festival de Cinema Experimental Ecrã (2023). Participa constantemente de laboratórios de desenvolvimento, atuando como consultora e integrante de bancas, com forte compromisso com o desenvolvimento artístico e a promoção da cultura audiovisual.

Beth Carmona

Formada pela ECA-USP em Rádio & Televisão e Jornalismo, com especializações no
Brasil e no exterior, incluindo o Curso de Produção Educativa na NHK (Japão),
patrocinado pela JICA, é consultora, produtora e gestora de projetos audiovisuais com
mais de 30 anos de experiência.
Desde junho de 2025, exerce o cargo de Diretora Vice-Presidente da Fundação
Padre Anchieta, com foco nas áreas de produção e programação dos canais TV
Cultura, TV Rá Tim Bum e Rádios Cultura.
Dirigiu a TV Cultura, na década de 90, quando a emissora marcou o panorama
brasileiro destacando-se como uma TV de qualidade alcançando bons índices de
audiência na área infantil. Sua carreira internacional teve início com o grupo Discovery,
especificamente atuando nos canais DKids e Animal Planet.
Foi Diretora-Presidente das TVs e Rádios Educativas da Roquette-Pinto e o trabalho
realizado durante sua gestão foi uma das bases fundamentais para a criação da EBC,
Empresa Brasil de Comunicação e da TV Brasil. Dirigiu também o Núcleo Criativo
Singular, selecionado pela ANCINE onde desenvolveu projetos de ficção e series
documentais.
Com vasta experiência em programação e produção para a televisão, atua fortemente
na discussão sobre os conteúdos de qualidade, participando de júris internacionais,
editais, concursos, seminários, debates e premiações como Prix Jeunesse
Internacional, o Japan Prize, o Fundo Pro Chile, além dos Festivais e encontros sobre
Mídia e Infância que ocorrem anualmente em Cuba, Colômbia, Equador, Uruguai e
Europa, através da EBU – European Broadcasting Union e da ABU –Asian
Broadcasting Union.
Participou de séries marcantes como Castelo Rá-Tim-Bum, Mundo da Lua, Cocoricó,
Eco Aventura na Amazonia, Senha Verde, Mundo Ripilica e Diário de Pilar,
consolidando sua trajetória como uma das principais referências na produção de
conteúdo educativo e cultural para crianças e jovens na América Latina.

Samira Vera-Cruz

Samira Vera-Cruz é uma realizadora cabo-verdiana com ampla experiência em Cabo Verde, Angola, Moçambique e África do Sul, formada em cinema na Universidade Americana de Paris. Realizou a curta-metragem Buska Santu (2016) e o documentário de curta-metragem Hora di Bai (2017).

Samira é membro fundadora da Rede de Cinema e Audiovisual PALOP-TL. O seu mais recente documentário de curta-metragem, Sumara Maré (2023), foi selecionado para o NEWF Producers’ Lab, uma colaboração entre a NEWF e a National Geographic Society. O filme arrecadou vários prémios, incluindo uma menção honrosa no Festival International du Film PanAfricain de Cannes (França), e distinções no Lusomovies Festival (Itália), London Pan African Film Festival (Inglaterra) e Bee Film Festival (Brasil).

Em 2024, Samira tornou-se dive master e posteriormente instrutora e cinematógrafa subaquática através do programa Africa Refocused. Atualmente, trabalha no longa-metragem documentário hibrido Plastic Atlantis, que recebeu apoio para desenvolvimento do Generation Africa 2.0, Visions du Réel e NEWF. Este projeto foi um sucesso notável no Durban FilmMart Finance and Pitch Forum 2025, arrecadando seis prémios: Climate Story Labs Award, Women Make Movies Award para Melhor Pitch de uma Realizadora, Sheffield DocFest Award, Doc-A Award, Sundance Documentary Fund New Voices Award e OIF–ACP–EU Award.

Ainda em 2025, Plastic Atlantis foi distinguido pelo World Cinema Fund (WCF) - um dos mais prestigiados mecanismos de apoio ao cinema internacional - com o WCF TUI Care Foundation Award, reforçando o impacto internacional do projeto, que será produzido em 2026.

Carla Esmeralda

Carla Esmeralda desenvolve projetos e eventos de qualificação profissional no setor audiovisual desde a década de 80.

Organizou mais de 100 edições de eventos em prol do audiovisual brasileiro com foco no desenvolvimento de narrativas e negócios no mercado nacional e internacional. Entre eles, o RioContentMarket (2011 a 2017)/Rio2C (2018 a 2020), o Festival Internacional de Cinema Infantil (desde 2003), e os laboratórios de roteiros, iniciados no Brasil com o Sundance Institute, hoje Laboratório Novas Histórias.

Fradique


Cineasta angolano, além de sua produção cinematográfica possui uma sólida atuação como curador, tendo colaborado com o Festival de Cinema Africano em Colônia e no Comitê Consultivo da Panorama da Berlinale. Em 2025, ingressou no comitê de seleção do programa Open Doors do Festival de Cinema de Locarno.

Fradique obteve reconhecimento internacional com sua estreia na plataforma MUBI através do filme “Ar Condicionado” (2020). Sua obra caracteriza-se pela exploração de universos distópicos e pelo aprofundamento em temas como memória, luto e justiça social.

Atualmente, Fradique integra o coletivo Science New Wave, além de ser reconhecido como um Global Media Maker e bolsista do Film Independent. Em 2023, sua trajetória foi impulsionada pelo recebimento da bolsa SFFILM Sloan Science in Cinema para o desenvolvimento de seu novo longa-metragem, “Hold Time for Me”.

Henry Palencia Martínez

Diretor executivo dos Prêmios India Catalina, a premiação audiovisual mais importante da Colômbia.

Fundador do NIDO, laboratório de pensamento na Colômbia, um espaço de diálogo entre criadores, indústria e audiências. Com mais de 15 anos de trajetória, ele coordenou processos de curadoria e avaliação junto a mais de 12 associações do setor e centenas de profissionais, contribuindo para o fortalecimento do ecossistema audiovisual colombiano.

Gugi Gumilang

Produtor e consultor de documentários, é programador do festival Hot Docs e Diretor de Programas da premiada organização sem fins lucrativos In-Docs, liderando iniciativas como o Docs by the Sea, que busca fortalecer narrativas de documentários asiáticos.

Seus filmes estrearam em festivais como IDFA, Busan e BFI London. Gugi atua também na seleção de projetos para fundos internacionais, incluindo o Sundance Documentary Fund, Chicken & Egg Pictures, IDFA Bertha Fund e EURIMAGES.

Jacqueline Nsiah

Membro do comitê de seleção da Competição da Berlinale e co-curadora do Festival de Cinema Africano de Colônia (AFFK), Jacqueline é antropóloga cultural, curadora de cinema e programadora com quase duas décadas de experiência no circuito global de festivais de cinema.

Ocupou cargos importantes em diversos festivais, como co-diretora do Festival de Cinema Africano de Cambridge, produtora do Festival de Cinema Documentário Real-Life em Acra e produtora assistente no Festival do Rio. Atuou na Panorama da Berlinale como gerente de convidados, co-dirigiu e curou o Festival de Cinema Africano UHURU no Rio de Janeiro, e fez a programação para o Film Africa London.

Foi ainda diretora de programação na Africa Film Society em Gana e trabalhou como gerente de projeto para uma plataforma da indústria cinematográfica africana com o Goethe-Institut. Também fez parte do comitê de seleção do Berlinale-Forum por quatro edições e co-curou o programa especial Fiktionsbescheinigung.

É mestre em Antropologia Visual e de Mídia pela Universidade Livre de Berlim e um bacharel em Estudos Africanos e Política pela SOAS.

Proyectos seleccionados

Proyectos seleccionados

Manifesto Futuro

Victor Jiménez - Produtor, diretor e roteirista.
Tom Pinheiro – Produtor / Produtor Criativo; Gabriela Bílá – Diretora de Arte / Concept Artist / Animadora; Eduardo Serrano – Montador.

MANIFESTO FUTURO investiga a emergência de uma nova estética: o Cyber-Mangue. Mais de trinta anos após o Manguebeat ter colocado antenas na lama, Recife vive um novo ponto de mutação. Entre os prédios históricos do Recife Antigo e as batidas da nova cena musical pernambucana, surge uma identidade moldada pelo mundo Figital — onde o Físico e o Digital se misturam e a carne do caranguejo e o código binário se fundem. O filme é um mergulho sensorial que conecta o legado de Chico Science aos novos desafios de uma era hiperconectada, perguntando: como a reinvenção constante de uma cidade-mangue pode oferecer as chaves para sobreviver ao Futuro?

Guardiões das Sementes

Luis Almeida - codiretor; Ana Carvalho - roteirista; Alexandre Antunes - prod. executivo.

Quem esquece a raíz, perde a sombra.” - provérbio popular. Guardiões das Sementes é uma série documental socioambiental que investiga como as sementes tradicionais guardam histórias de resistência, identidade e futuro. A partir das mãos de agricultoras e agricultores guardiões de sementes, que plantam, distribuem e protegem, a série revela como sementes crioulas e saberes ancestrais sustentam modos de vida profundamente conectados à terra, à cultura e à coletividade. Percorrendo territórios da Ibero-América, da África e do Sul da Ásia, a narrativa constrói pontes entre continentes historicamente ligados por rotas de troca, migração e colonização. Cada episódio apresenta um país e seus Guardiões das Sementes, assim como suas experiências locais que dialogam entre si, mostrando como práticas agrícolas, rituais, culinárias e formas de organização comunitária atravessam fronteiras e séculos, mantendo viva uma memória comum. Em um contexto de crise climática, perda de biodiversidade e avanço da agricultura industrial, Guardiões das Sementes destaca a importância da soberania alimentar, da agroecologia e da preservação dos patrimônios bioculturais. A série propõe uma reflexão sensível e política sobre o papel das sementes como elo entre passado, presente e futuro, revelando que proteger essas raízes é também proteger os povos, os territórios e a diversidade do planeta.

Afeto

Susan Kalik - Criadora, roteirista e diretora; Thiago Gomes Rosa – Diretor; Vânia Lima – Produtora Executiva.

Depois de dirigir embriagada e jogar seu carro contra o Mercado Modelo, Cecília é condenada a prestar serviços comunitários na AFETO, um grupo de valorização da vida. Ela fará de tudo para se livrar dessa pena, até descobrir que ela também precisa de afeto. Ambientada em Salvador, conhecida como a “capital da alegria”, a produção apresenta a jornada de Cecília, uma mulher que, após um momento de fúria, é condenada a prestar serviços comunitários em um grupo de apoio emocional, a AFETO – “Amor, Fraternidade, Empatia e Ombro Amigo”. Entre tentativas de se livrar da pena e as dificuldades de convivência com os novos colegas voluntários, Cecília descobre que também precisa de acolhimento e afeto. O tom da série é intimista e sua abordagem cinematográfica mistura humor, momentos poéticos e tensão dramática. AFETO propõe reflexões profundas sobre a sociedade e as emoções humanas. A obra dá voz a histórias marcadas por racismo estrutural, machismo, violência de gênero e sexualidade, abordando também questões como depressão, solidão e abuso de substâncias, sempre de forma acolhedora, afirmativa e empática. Com 06 episódios de 30 minutos em sua primeira temporada, a série explora questões profundas e muitas vezes consideradas tabus, e enfatiza a delicadeza das relações interpessoais e o impacto que cada indivíduo tem sobre o outro – na cura e no adoecimento, apostando em uma narrativa sensível e humana, permeada por afeto, empatia e humor.

Herdeiras da Terra

Direção: Graciela Guarani; Roteiro: Denise Fait e Luiz Bolognesi; Produção Executiva: Denise Fait, Thiago Mascarenhas e Eduardo Resende; Produção: Graciela Guarani; Capuri TV (Brasil); Maneglia-Schémbori Realizadores (Paraguai); Elenco principal (em negociação): Zahy Tentehar, Luisa Arraes, Luciana Paes e Carla Salle.

Na região da Tríplice Fronteira, três irmãs herdam o sítio da família e os fantasmas deixados pelo avô, um ex-coronel militar envolvido na remoção violenta de povos indígenas durante a construção da Usina de Itaipu. Francisca, a caçula, é uma juíza federal recém-nomeada que recebe o processo histórico que denuncia esses crimes — sem saber, inicialmente, que a ação atinge sua própria linhagem. Enquanto Rita, a irmã mais velha, tenta salvar a construtora herdada do avô e preservar o patrimônio familiar, Elisa se afasta do núcleo doméstico e se envolve com o contrabando aéreo da fronteira, fugindo de uma herança marcada pela violência. O conflito se intensifica quando Rita confronta Ava Porã, jornalista e ativista indígena que lidera a retomada das terras. A aproximação entre Francisca e Ava, iniciada como aliança política, transforma-se em uma relação afetiva profunda, colocando a juíza diante de um dilema ético radical: proteger sua família ou romper com o próprio sangue em nome da justiça. No desfecho, Francisca perde sua função institucional, mas entrega a Ava provas capazes de abalar os alicerces do poder. Herdeiras da Terra é uma tragicomédia política sobre legado, memória, reparação e amor como gesto de resistência.

Conexões e Destinos

Cinthya Rachel - Apresentadora; Danielle Valentim - Diretora.

Conexões e Destinos é uma série documental de 10 episódios de 26 minutos que acompanha pessoas comuns que decidem transformar a própria vida ao se engajarem em ações voluntárias voltadas à preservação ambiental e à sustentabilidade em diferentes territórios do Brasil e do mundo. Ao longo da série, seguimos a trajetória de viajantes que praticam o turismo voluntário ambiental, deixando suas rotinas para atuar, por um período determinado, em projetos ligados à proteção de biomas, regeneração de ecossistemas, agroecologia, educação ambiental, defesa dos povos originários e comunidades tradicionais, além de iniciativas de enfrentamento às mudanças climáticas. A câmera acompanha de perto o cotidiano desses voluntários: o trabalho físico, os aprendizados, os desafios culturais e emocionais e as transformações que emergem do contato direto com a natureza e com as comunidades locais. Mais do que observar, a série mostra o fazer — mãos na terra, corpos em ação e escolhas que impactam o presente e o futuro do planeta. Entre florestas, rios, zonas costeiras, áreas urbanas degradadas e territórios ameaçados, Conexões e Destinos constrói um mosaico de histórias de pertencimento, troca e responsabilidade coletiva, revelando que cuidar do meio ambiente é também cuidar das pessoas e dos caminhos que compartilhamos.

Houve Uma Vez o Verão

Federico Nicolai - Produtor audiovisual e diretor.

A ideia de realizar um festival de música na cidade de Guarapari, no Espirito Santo, surge no inicio da década de 70, quando um grupo de jovens capixabas decide, influenciado pelo movimento hippie, protestar contra a repressão praticada pela ditadura militar no país. A classe artistica que até então não fora exilada, abraçou 0 projeto e isso originou um casting bastante diversificado, que pautou em peso os rumos da música popular brasileira nos anos seguintes. Somado a aceitação dos artistas, o apoio de governo e município garantiriam o show. Com tudo acertado, o “Festival de Verão de Guarapari” estava marcado para ser realizado entre os dias 11 e 14 de fevereiro de 1971. E assim foi. Mas, se na concepção do projeto as autoridades prometeram todo apoio e suporte à organização, após sofrer pressão das famílias mais tradicionais - dado o choque cultural entre as suas ideologias e a dos hippies - não disponibilizaram dinheiro ou qualquer tipo de estrutura. O evento foi sabotado de todas as formas possíveis. A policia interveio e prendeu arbitrariamente músicos, jornalistas e até mesmo parte do publico. A precariedade financeira e a dificuldade dos organizadores em tomar decisões quando se está sob efeito de substancias psicotrópicas, deram origem a uma centena de episódios hilários, trágicos e ao mesmo tempo importantes para a história e cultura de um Brasil moderno.

As Caixas

Daniel Arcades - Roteirista; Vânia Lima - Direção; Keyti Souza - Produção Executiva; Claudio Antônio - Diretor de Fotografia.

As Caixas é um longa-metragem de ficção que acompanha a trajetória de Chico, um menino de 10 anos que vive com os avós, Nora e Tião, proprietários de uma pequena funerária no interior da Bahia, em 1978. Em um país atravessado pela repressão e pela censura, o filme se desenvolve a partir do olhar sensível de uma criança que convive diariamente com a morte sem medo, mas com fascínio, imaginando histórias para cada vida encerrada ali. A rotina muda com a chegada de uma família à vila: Humberto, militar rígido e enigmático; Vitória, sua esposa doente; e Maria, filha que se aproxima de Chico e Olga, formando um trio de amigos que conduz a narrativa. Chico começa a encontrar caixinhas escondidas no cemitério, contendo cartas escritas por sua mãe, Dina, que acreditava estar morta. Enquanto os responsáveis tentam proteger as crianças das verdades duras sobre a ditadura, é a relação entre Chico e Vladimir, funcionário da funerária e guardião silencioso de segredos dolorosos, que revela a brutalidade do regime. Ao dialogar com a memória do país, o filme se propõe a reconstruir o período da ditadura em uma vila atravessada por medos e silêncios, onde política, moralidade, fantasia e morte se entrelaçam. A obra valoriza a perspectiva infantil para iluminar o que é ocultado pelos adultos e pelo Estado. A narrativa culmina na reconexão entre mãe e filho, mas, sobretudo, na formação emocional das crianças, que encontram juntas maneiras de elaborar o medo, a perda, o amor e a esperança.

Proyectos seleccionados

Percursos

Sil Azevedo - Direção e Roteiro; Carolina Pernisa - Produção Executiva; Clara Linhart - 1ª Assistente de Direção.

“Percursos” narra a jornada de autodescoberta de João, um menino que aos 12 anos começa a perceber sua sexualidade e sonha em formar uma banda com amigos da escola. Quando surge a chance de realizar esse sonho, seu pai o obriga a abandonar os estudos para tentar a carreira no futebol, acreditando ser a única forma de protegê-lo da violência da comunidade. Seis anos depois, João retorna à favela após fracassar no futebol, distante dos amigos, com o coração partido e carregando a culpa de ter decepcionado o pai. O conflito entre os dois culmina tragicamente quando o pai é assassinado ao defendê-lo da polícia. A partir da perda, João passa por um processo de aceitação, assume seu lugar na comunidade e reafirma sua identidade.

Guardiões do Fogo

Ellen Corrêa

Guardiões do Fogo é um longa-metragem documental que procura dar tratamento cinematográfico para histórias de chefs de cozinha de Porto Alegre, que utilizam ingredientes e temperos da culinária afro-brasileira. Guardiões de receitas e saberes insurgentes, os chefs fazem uma análise de sua trajetória na cozinha afrodiaspórica e compartilham receitas, desde a sua concepção, a qualidade dos ingredientes e a utilização dos mesmos. A despeito de uma gastronomia europeia e classista, investiga-se neste documentário como o Brasil aparece no prato dos brasileiros. O tema selecionado tem a importância dos sabores que tranquilizam, que são encontros, que são lembranças e que significam liberdade.

Clarice Vê Estrelas

Letícia Pires - Roteirista, diretora e produtora; Bruno Gagliasso - Produtor Associado; Marcos Pieri - Produtor; Guilherme Tostes - Direção de Fotografia; Marília Moraes - Montagem; Edson Secco - Mixagem e Edição de Som / Trilha Sonora Original; Elsa Romero - Direção de Arte; Preta Marques - Figurino; Andie Pontes - Caracterização; Elenco: Dandara Arcebispo (Clarice) / Heloísa Jorge (Luciana) / Clayton Nascimento (Eduardo).

Clarice, prestes a completar oito anos, vê seu mundo virar de ponta cabeça após uma discussão com sua mãe. Como castigo, é afastada dos animados preparativos da festa junina e enviada ao sótão para guardar seus brinquedos—tudo por causa da chegada próxima de um bebê, seu primeiro irmão. No isolamento, ela encontra um livro misterioso que a transporta para o encantado Circo Aquarius. Nesse universo mágico, Clarice embarca em uma jornada de crescimento e autodescoberta, enfrentando medos, raiva, ciúmes e tantos outros sentimentos que nem sabia nomear. Com a ajuda da trupe circense, descobre que, mesmo quando tudo parece confuso, o amor e a coragem, guiados pelas estrelas, podem iluminar qualquer caminho.

Curadores

Zeca Brito

Zeca Brito é cineasta e curador. Mestre em Artes Visuais pela UFRGS, graduado em Realização Audiovisual pela Unisinos e Poéticas Visuais pela UFRGS. Dirigiu curtas e longas-metragens exibidos no Brasil e no exterior, como “Legalidade”, “Hamlet”, “Glauco do Brasil”, e “Arte da Diplomacia”. Co-idealizador do Mercado Audiovisual Entre Fronteras - MAEF. Idealizador do Festival de Internacional de Cinema da Fronteira (BR/UY) e do Noronha2B - Film Commission Forum.

Alessandro Engroff

Roteirista, produtor cultural e jornalista. Vice-diretor geral no FRAPA (Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre). Diretor artístico do Festival Internacional de Cinema da Fronteira (Bagé/RS). Curador e coordenador do N2B WIP LAB, do Noronha2B - Film Commission Forum. Em 2023, foi curador e produtor do I Mercado Internacional FRAPA, realizado em Sevilha (Espanha), junto ao Encuentro de Guionistas. Em 2025 atuou ainda como produtor da 1ª Feira de Negócios Audiovisuais da Amazônia Criativa (Macapá). Cocriador da série de comédia "Infratores" (Fantástico/TV Globo, 2017). Roteirista da série "Paralelo 30" (Prime Box Brazil, 2018), Participou de duas edições do GloboLab (2015 e 2017), laboratório de roteiros da TV Globo. Finalista do Festival Guiões, Portugal (2016) com o roteiro de longa-metragem de drama “Filho dos Sonhos”.

Jacqueline Nsiah

Jacqueline Nsiah é antropóloga cultural, curadora e programadora de cinema freelancer, com quase duas décadas de experiência no circuito global de festivais de cinema. Ela possui mestrado em Antropologia Visual e de Mídia pela Universidade Livre de Berlim e bacharelado em Estudos Africanos e Política pela SOAS.

Nsiah ocupou cargos-chave em diversos festivais, incluindo o de co-diretora do Cambridge African Film Festival, produtora do Real-Life Documentary Film Festival, em Acra, e assistente de produção no Festival do Rio. Também contribuiu para a seção Panorama da Berlinale como Guest Manager, co-dirigiu e fez a curadoria do UHURU African Film Festival, no Rio de Janeiro, e atuou como programadora do Film Africa London.

Ela também foi diretora de programação da Africa Film Society, em Gana, e trabalhou como gerente de projetos em uma plataforma da indústria cinematográfica africana em parceria com o Goethe-Institut. Nsiah integrou o comitê de seleção do Berlinale Forum por quatro edições, co-curou o programa especial Fiktionsbescheinigung e atualmente é membro do comitê de seleção da Competição Oficial da Berlinale. Ela também é co-curadora do Africa Film Festival Cologne (AFFK).

Regulamento
N2B WIP LAB

1. O N2B WIP LAB é um laboratório de projetos audiovisuais que será realizado dentro da programação da terceira edição do N2B - Noronha Film Commission Forum, com o tema “Sul Global Sustentável”, entre os dias 03 a 06 de março de 2026, no arquipélago de Fernando de Noronha, Pernambuco, Brasil. É direcionado a talentos residentes no Brasil com projetos de temática socioambiental ou projetos de promoção turística e territorial voltados para os países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã) e Iberoamérica (países da América Latina de língua espanhola e portuguesa, mais Espanha, Portugal e Andorra).
 

2. O N2B WIP LAB tem como objetivos: 

2.1 Aproximar os realizadores das locações, film commissions, festivais e agentes da indústria que possam colaborar para o desenvolvimento dos projetos;
 

2.2 Fomentar a internacionalização de talentos e produções com potencial de coprodução e distribuição, conectando com mercados e rotas comerciais de países do BRICS e Iberoamérica que ofereçam novas perspectivas de circulação para o audiovisual brasileiro;
 

2.3 Qualificar e dar visibilidade a projetos que abordem temáticas socioambientais e/ou de promoção dos destinos turísticos brasileiros, ibero americanos e de países do BRICs, com conteúdos que possam promover a exportação e atração de investimento para o território nacional;
 

2.4 Colaborar com a viabilização de coproduções nacionais e internacionais, licenciamentos, janelas de estreias, entre outros;
 

2.5 Despertar a responsabilidade socioambiental em processos cinematográficos através de tutorias e atividades de formação, qualificando os profissionais participantes.
 

3. Serão aceitos exclusivamente projetos de longa-metragem e obras seriadas (ficção, documentário e híbrido) em duas categorias de inscrição:

3.1 Work In Progress - para talentos com projetos work in progress em fase avançada de finalização que buscam direcionamento para janelas de estreias em festivais.
 

3.2 Desenvolvimento - para talentos com projetos em fase de desenvolvimento avançado do roteiro ou em pré-produção, que buscam parcerias para filmar projetos em territórios estrangeiros (production service, coprodução etc).
 

4. As inscrições são gratuitas e estarão abertas do dia 19 de dezembro até às 23h59 do dia 15 de janeiro de 2026, mediante o preenchimento do formulário de inscrição disponível no site noronha2b.com.
 

5. Serão selecionados 10 (dez) talentos, sendo até 4 (quatro) talentos na categoria Work In Progress e no mínimo 6 (seis) talentos na categoria Desenvolvimento.
 

6. Os talentos selecionados participarão de uma programação inteiramente gratuita que inclui tutorias individuais, reuniões interinstitucionais com agentes da indústria audiovisual e representantes de film commissions (Destination Film Market), seminários (Film Commission Forum) e experiências imersivas (Location Scout) em pontos do arquipélago de Fernando de Noronha.
 

6.1 Na categoria Work In Progress, haverá exibição integral do corte apresentado em cabine fechada com a presença de tutores e demais participantes do laboratório, seguido de uma devolutiva individual com foco no direcionamento para janelas de estreias em festivais.
 

6.2 Na categoria Desenvolvimento, o foco das tutorias será na análise do roteiro com ênfase nas locações.
 

7. Não há limite de inscrições de projetos por participante. 
 

8. A lista de tutores, agentes da indústria e representantes de film commissions inclui importantes nomes nacionais e internacionais e será divulgada nas redes sociais do evento.
 

9. O formulário de inscrição solicita as seguintes informações sobre o projeto: título, formato (longa ficção live action, longa ficção animação, longa documentário, longa híbrido, série ficção live action, série ficção animação, série documental, série híbrida), gênero (drama, comédia), subgênero (se for o caso), estágio de desenvolvimento (desenvolvimento, pré-produção, produção, finalização, distribuição), histórico do projeto com até 1000 caracteres com espaços), sinopse de até 1500 caracteres com espaços, currículo do proponente com até 1000 caracteres com espaços, nome e currículo da produtora com até 1000 caracteres com espaços (se for o caso) e, no caso da categoria LAB (Desenvolvimento), roteiro (no caso de séries, roteiro do episódio piloto). Outros materiais (argumentos, escaletas, one page, textos de apresentação, book de vendas etc) poderão ser adicionados anexo à inscrição, a critério do autor. 
 

9.1 Na categoria Work In Progress, é obrigatório o envio de link para visualização do filme/piloto de série e senha, se for o caso. 
 

9.2 Na categoria Desenvolvimento, é obrigatório o envio de link para download do roteiro.
 

9.3 Todos os textos deverão ser enviados exclusivamente em português.
 

9.4 Não é permitido o envio de materiais adicionais, uma vez finalizada a inscrição.
 

10. Os projetos inscritos serão selecionados pela curadoria do N2B WIP LAB, sendo a decisão soberana e irrecorrível. Além de sua qualidade artística, os critérios de seleção priorizarão projetos alinhados com os objetivos do laboratório descritos no item 2 deste regulamento. 
 

11. O informe de seleção dos projetos classificados para o laboratório será enviado para o e-mail do talento cadastrado na inscrição até o dia 31 de janeiro de 2026, que deverá confirmar sua participação no prazo de 48h. No caso de não confirmação, será chamado um suplente.
 

12. Os custos de transporte (aéreo e terrestre), hospedagem e alimentação para a participação no laboratório são de total responsabilidade do selecionado. 
 

13. A organização do N2B WIP LAB recomenda que os projetos estejam registrados na Biblioteca Nacional ou órgãos similares de cada país, embora não seja exigido registro no momento da inscrição ou participação nas atividades. A organização não se responsabiliza por qualquer situação decorrente da ausência de registro do projeto inscrito.
 

14. Não são permitidas inscrições que atentem contra os direitos humanos em qualquer instância, sob risco de desclassificação do projeto. 
 

15. A organização do N2B WIP LAB não tem qualquer ingerência nos resultados das atividades e reuniões, limitando sua participação em promover e qualificar os projetos.
 

16. A inscrição e participação no N2B WIP LAB implicam na aceitação e cumprimento de todos os termos e condições previstos neste Regulamento.
 

17. O aceite na participação implica em fazer constar o logotipo do N2B WIP LAB nos créditos do projeto, quando realizado. 
 

18. No caso de ocorrências não contempladas neste regulamento, a organização do N2B WIP LAB tem autoridade para tomar as decisões que considerar mais adequadas para realização da atividade, de forma soberana e irrecorrível, informando sua decisão publicamente. 
 

19. Dúvidas devem ser encaminhadas ao e-mail info@noronha2b.com.

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